Metas e alinhamento com os objetivos estratégicos

quarta-feira, 7 de novembro de 2012


Sua empresa divulgou o resultado do planejamento estratégico. Um plano com objetivos e metas. E você com isso?

Diariamente boa parte dos trabalhadores chegam ao seu local de trabalho, executam suas atividades e vão embora. A grande maioria não se pergunta a relevância das suas atividades ou das atividades que delega a outros. Algumas vezes estes são os próximos "recursos disponibilizados para o mercado" como ouvi de uma colega. O objetivo deste artigo é fazer com que você não faça parte deste grupo.
 
Toda empresa bem administrada tem um objetivo a ser atingido. Para isto, são traçadas metas em um plano, o plano estratégico. Estas metas são a definição da estratégia que a empresa espera seguir para atingir estes objetivos. Atualmente é muito comum se falar de "alinhamento com os objetivos estratégicos" mas pouca gente sabe alinhar de verdade o seu trabalho com os objetivos da organização que, por isto, acabam não sendo atingidos.

OK, dependendo da indústria em questão, pode ser que para determinados funcionários nada mude. No entanto, em uma indústria tão dependente da capacidade e da competência de cada colaborador como a indústria de software, este dificilmente é o caso. Exemplifico:

Exemplo 1: Vamos supor que uma empresa resolva se posicionar no mercado como a que entrega releases o mais rapidamente possível, mesmo que tenha que fazer muitos ajustes depois mas objetive garantir o atendimento das janelas de oportunidade dos seus clientes.

Neste cenário:
  • um gerente pode reduzir o máximo da documentação gerada pelo seu processo, deixando tudo o que puder para o fim dos releases críticos, como por exemplo artefatos necessários para futuras manutenções.
  • um analista pode priorizar os requisitos que vão garantir ao atendimento da janela de oportunidade ao invés dos requisitos de maior valor para o negócio.
  • um arquiteto pode fazer os diagramas de mais alto nível e explicar para a equipe as lacunas que não foram registradas e monitorar as possíveis violações arquiteturais enquanto termina de registrar as decisões.
  • o desenvolvedor pode buscar desenvolver o código o mais rapidamente possível, preocupando-se apenas com os cenários de utilização mais comuns e corrigindo apenas os defeitos para os quais não há um fluxo de execução alternativo que funcione, resolvendo estas questões em um momento posterior.
 Exemplo 2: Uma empresa resolve ser conhecida como a que entrega softwares confiáveis, com nível de erro baixíssimo.

Neste cenário:
  • o gerente pode exigir que documentação extra seja gerada para ajudar na disseminação do conhecimento dentro da equipe, como comentários em código caso não seja padrão da organização e a construção de protótipos.
  • um analista pode optar por utilizar casos de uso detalhados em lugar de histórias de usuário, utilizar técnicas diferentes de levantamento de requisitos, etc.
  • um arquiteto pode fazer diagramas mais detalhados, trabalhar com arquitetura de informações e diagramas conceituais, ontologias, etc.
  • o desenvolvedor pode passar mais tempo testando suas funcionalidades.
Notou como a atitude de cada um muda dentro das suas atribuições?

Cada um tem sua parcela de responsabilidade. Em um cenário ideal, cada um se perguntaria "-O que eu tenho que fazer diferente para atingir os objetivos da melhor maneira?" e esta deveria ser uma pergunta diária. Em um cenário real isto não acontece e a empresa precisa ter ferramentas para conduzir sua equipe através de sua estratégia, implementando as mudanças nas interações e atividades de cada colaborador.

A ferramenta...

O objetivo de uma empresa de software normalmente é entregar software com determinadas características relacionadas ao software ou à entrega (ao serviço prestado). Assim, dos seus processos, o mais importante para atingir este objetivo é o seu processo de desenvolvimento. A partir do momento em que a empresa percebe isto, o processo deixa de ser apenas uma forma de normatizar, de padronizar o seu trabalho e passa a ser uma ferramenta importante.

Em um processo de desenvolvimento de software bem definido é possível alterar o momento em que determinados artefatos são gerados mudando a ordem das atividades que os geram, incluir ou remover atividades para incluir ou retirar artefatos (para incluir protótipos), alterar atividades para determinar quais os artefatos gerados (por exemplo histórias de usuário ou casos de uso), aumentar o tempo das atividades de testes no planejamento, etc.

Quando institucionalizado, esta é a principal ferramenta de uma organização para atingir seus objetivos. Obviamente, com medições adequadas é muito mais fácil determinar quais as modificações mais importantes para atingir os objetivos e monitorar a evolução dos seus indicadores. A partir das medições e das determinações do que tem menos ou mais valor para a organização e seus objetivos artefatos podem aparecer, se tornar insumos, até parte do produto gerado pelo projeto para entregar ao cliente ou interno para a organização ou até sumir.

Sumir?

Independente do processo ou da metodologia adequada, além do que é necessário fazer para a construção do sistema a ser entregue pro cliente, todos os artefatos devem ser avaliados quanto ao valor gerado para a organização à luz de sua cultura e dos seus objetivos estratégicos, seja para priorizá-los ou eliminá-los.

O que era importante antes pode deixar de fazer parte dos objetivos estratégicos de uma organização e cortando excessos corta-se custos, ganha-se agilidade e Agilidade.

Sua organização tem metas e objetivos claros e bem disseminados por todos os colaboradores?
Você vai passar a repensar sua atuação na sua organização?

Abraço a todos!

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